Com o tema “Guerras na Mundurukania: Muras x Mundurukus”, Bloco Rubro Negro busca o bicampeonato no Carnailha 2026

Com o tema “Guerras na Mundurukania: Muras x Mundurukus”, Bloco Rubro Negro busca o bicampeonato no Carnailha 2026 Fotos: Sidney Simas - Secom  Notícia do dia 26/01/2026

O Bloco Rubro Negro já começou a revelar os detalhes do enredo que vai levar à avenida no Carnaíla 2026. Com um tema forte, histórico e carregado de identidade, o bloco aposta na ancestralidade indígena de Parintins, destacando a memória, as lutas e o protagonismo dos povos originários que habitaram a região.

 

De acordo com Fabiano Barauna, um dos responsáveis pela concepção do enredo, a proposta inicial partiu do tema amplo “Brasil, Terra Indígena”, mas precisou ser estrategicamente afunilada para ganhar força e clareza na avenida.

 

“A gente sabe que é um tema muito grande, são milhares de etnias. Pensando também na leitura dos jurados, resolvemos afunilar e trazer uma batalha histórica, que é o conflito entre os povos Mura e Munduruku”, explicou.

 

 

A construção do enredo teve como base pesquisas acadêmicas, especialmente os estudos do pesquisador Max Baraúna, que aborda a chamada Guerras da Mundurukania. A proposta é retratar, de forma poética e visual, os embates entre essas duas grandes etnias, contextualizando também a chegada do colonizador europeu e suas consequências.

 

“O enredo vai contar quem são os Mura, quem são os Munduruku, como se deram esses conflitos e quem realmente ganhou com tudo isso. Vamos mostrar como essas guerras também foram usadas a favor da dizimação dos povos indígenas”, destacou Robson.

 

O pesquisador Max Baraúna reforça que o tema é fruto de uma pesquisa acadêmica desenvolvida no Programa de Pós-Graduação de História da Universidade Federal do Amazonas: “Na pesquisa descobrimos que Parintins é a capital da Mundurukania, uma região que vai do rio Madeira ao rio Tapajós. Aqui, por muitos anos, os povos indígenas Mura e Munduruku habitaram e guerrearam nesse território”, explicou.

 

 

Segundo ele, apesar de hoje não haver mais presença desses povos em Parintins, a memória indígena permanece viva.

 

“Hoje temos os Sateré-Mawé, mas no passado existiram Tupinambá, Mura, Munduruku, Parintintin. Esse enredo é um grito de liberdade e de protagonismo indígena, mostrando a força de luta desses povos contra a imposição do colonizador”, afirmou.

 

Enquanto isso, nos bastidores, o bloco segue em ritmo acelerado de preparação. O presidente do Bloco Rubro Negro, Jailson Rodrigues, destaca a expectativa para o desfile e a busca pelo bicampeonato: “A expectativa é muito grande. Já estamos confeccionando carro alegórico, comissão de frente e cerca de quatro a cinco alas coreografadas. O Rubro Negro vem preparado para disputar o título novamente”.

 

Para ele, o parintinense pode esperar uma apresentação marcante e diferenciada na história do bloco. “É algo diferente de tudo que o Rubro Negro já apresentou. O torcedor pode esperar uma apresentação de gala, maior do que no ano passado. Vai ser algo surpreendente”, completou.

 

Antônio Rodrigues, vice-presidente, reforça que a organização tem sido um dos pilares da preparação para 2026.

 

“Formamos comissões específicas para cada área. A questão da rainha, da banda, dos recursos… tudo está sendo cuidado com muita responsabilidade. O bloco está super organizado, como sempre”, afirmou.

 

Ele também destacou a importância do retorno da premiação no Carnailha anunciado pelo prefeito Mateus Assayag, após alguns anos de ausência.

 

“Isso motiva ainda mais. O campeão tem algo concreto para comemorar com seu povo, com o reduto. É um incentivo a mais para irmos à avenida com força total”, concluiu.

 

Com um enredo que une história, resistência e identidade amazônica, o Bloco Rubro Negro promete emocionar o público e transformar a avenida em um grande palco de memória e celebração da ancestralidade indígena de Parintins.