Carmona rebate impugnações e afirma que irá “até a última consequência” para disputar eleição do Caprichoso

Candidato reconhece que teve problemas em prestações de contas quando presidiu o boi, afirma que pagou obrigações com recursos próprios e sustenta que está apto a concorrer

Carmona rebate impugnações e afirma que irá “até a última consequência” para disputar eleição do Caprichoso Notícia do dia 10/08/2026

O candidato à presidência do Boi-Bumbá Caprichoso, Carmona Gonçalves de Oliveira Filho, se manifestou nesta segunda-feira, 10 de agosto, sobre as impugnações apresentadas pelas chapas de Márcio Azedo e Afrânio Gonçalves e de Diego Mascarenhas e Edwan Oliveira contra o registro da chapa “Caprichoso de Todos Nós”, formada por Carmona e Juarez Luis Coelho de Lima Filho. As declarações foram feitas durante entrevista ao programa “Fatos e Boatos”, da Clube FM, comandado pelo jornalista Gil Gonçalves. Carmona afirmou respeitar o direito dos adversários de questionarem sua candidatura e disse confiar que a Comissão Eleitoral manterá seu registro. “Nós precisamos ter eleição no Caprichoso. Temos mais dois amigos nossos que são candidatos a presidente do boi e eles têm todo o direito de ser candidatos. A nossa chapa está inscrita e foi aprovada pela Comissão Eleitoral. Existe um rito eleitoral e qualquer chapa pode impugnar outra. As duas chapas entenderam que temos documentação que não estaria apta e entraram contra. Eu acredito que nós vamos ter eleição e vamos participar dela. É um direito nosso”, declarou.

 

As impugnações questionam, entre outros pontos, documentos apresentados por Carmona e citam seis decisões do Tribunal de Contas do Estado do Amazonas (TCE-AM), todas de 2017, relacionadas a prestações de contas envolvendo recursos destinados ao Caprichoso. Ao comentar o assunto no programa “Fatos e Boatos”, Carmona reconheceu que enfrentou problemas em prestações de contas durante sua passagem pela presidência do boi. Segundo sua versão, em um dos casos houve problema relacionado à contrapartida de um convênio, apesar de o Caprichoso ter executado seu objeto. Ele afirma que foi responsabilizado, notificado e multado e que posteriormente pagou, com recursos próprios, as obrigações que lhe cabiam. “Eu tive problema, sim, quando fui presidente do boi. Fui condenado por isso, fui notificado, fui multado e paguei. Não com dinheiro do boi; paguei com dinheiro do meu bolso. Eu me limpei. Tudo o que tinha que fazer foi feito”, afirmou.

 

Carmona também contesta a interpretação de que essas decisões poderiam impedi-lo de disputar a eleição interna do Caprichoso. O candidato sustenta que eventuais restrições decorrentes de condenações não poderiam produzir efeitos indefinidamente e afirma ter buscado orientação jurídica antes de registrar a candidatura. “O que está escrito é que quem tem contas rejeitadas, tramitadas e julgadas não pode ser candidato. Consultei advogado, juiz, promotor e desembargador. Todos disseram que isso é verdade por determinado período. A inelegibilidade é de oito anos. Qualquer condenado tem um tempo de pena e o meu tempo eu já cumpri. Já se passaram mais de dez anos e tudo o que tinha que ser feito foi feito. Então, posso, sim, participar da eleição”, defendeu Carmona. Essa é a interpretação apresentada pelo candidato; caberá à Comissão Eleitoral avaliar sua aplicação diante das regras previstas no Estatuto e no Regimento Eleitoral do Caprichoso.

 

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O candidato endureceu o discurso ao falar sobre a possibilidade de a Comissão Eleitoral aceitar as impugnações e retirar sua chapa da disputa. Carmona afirmou acreditar que existem “forças ocultas” atuando sobre alguma candidatura e antecipou que, caso tenha decisão desfavorável, pretende recorrer para permanecer no processo eleitoral. “Eu não vou deixar fazerem comigo o que fizeram com outros candidatos lá atrás: derrubar e ganhar no tapetão. Nós vamos até a última consequência para participar da eleição. Se o resultado for contrário, vai ter consequências, a gente já sabe o que fazer. Se for contrário de novo, nós vamos de novo. Entendemos que querem tirar a gente da eleição injustamente. Se eu estivesse errado, eu dava a mão à palmatória”, declarou.

 

Por fim, Carmona voltou a defender a documentação entregue no momento da inscrição e disse esperar que a própria Comissão Eleitoral rejeite os pedidos apresentados pelas chapas adversárias. Ele também rebateu a alegação relacionada à desaprovação de contas de sua administração em Assembleia e defendeu uma futura gestão profissionalizada caso seja eleito. “A Comissão Eleitoral, quando você vai inscrever a chapa, exige que todas as certidões estejam OK. Ela recebeu a documentação, foi analisar e depois veio o documento dizendo que nossa chapa estava inscrita e estava OK. Espero que essa mesma comissão indefira o que foi pedido e nos deixe ser candidatos. Quem trabalhou comigo e quem foi para a Assembleia sabe o trabalho que eu fiz. Nenhuma conta minha foi desaprovada na Assembleia. O Caprichoso precisa fazer gestão, precisa administrar, profissionalizar e trazer profissionais para fazer uma gestão competente”, concluiu.

 

As impugnações contra a chapa de Carmona e Juarez estão sob análise da Comissão Eleitoral do Boi-Bumbá Caprichoso. Os pedidos apresentados pelas chapas adversárias questionam, entre outros pontos, o alcance das certidões entregues no registro da candidatura e os efeitos das decisões do TCE-AM citadas no processo. Carmona, por sua vez, sustenta que cumpriu as obrigações decorrentes dos processos e que não existe atualmente impedimento para sua candidatura. A decisão sobre a permanência da chapa “Caprichoso de Todos Nós” na disputa caberá à Comissão Eleitoral, observados o Estatuto e o Regimento Eleitoral da associação.


Texto: Hudson Lima
(92) 991542015