Saullo, Diego, Senador Omar, Prefeito Mateus e Rossy (foto Pedro Coelho)
Notícia do dia 17/01/2026
Quem acompanha de perto a política interna do Boi Caprichoso já percebeu: Diego Mascarenhas não está improvisando. O atual vice-presidente do Touro Negro vem construindo, passo a passo, uma pré-campanha minuciosa, disciplinada e silenciosa, costurando apoios para viabilizar seu nome à presidência do boi na eleição marcada para setembro. Antes disso, Diego concentra esforços em trabalhar com sócios, artistas e torcedores para ajudar o Caprichoso a reconquistar o título do Festival de 2026.
O método chama atenção. Diego evita gestos bruscos, não tensiona publicamente o grupo e prefere acumular diálogo, respeitando hierarquias e memórias recentes do Caprichoso. Mantém conversas permanentes com o atual presidente Rossy Amoedo, figura central do tricampeonato azul e branco, e com o ex-presidente Jender Lobato, liderança do bicampeonato que ainda exerce forte influência entre sócios, artistas e bastidores.
Essa postura revela alguém que compreende uma regra básica da política bovina: ninguém chega sozinho, ninguém chega rompendo pontes e ninguém é candidato de si mesmo.
Pontes com a política institucional e com a memória do boi
Paralelo à política interna, Diego amplia sua presença na política institucional, sempre com cautela. Estreitou laços com sócios estratégicos como o deputado federal Saullo Vianna, compositor do Azul e Branco, e com o ex-prefeito Bi Garcia, sócio do Caprichoso e liderança política com trânsito estadual.
Mas o movimento de Diego não se limita aos gabinetes. Ele não descuida dos contatos com a família Carvalho, grupo tradicional e historicamente influente dentro do boi; mantém diálogo constante com o empresário Dodózinho; e preserva relações com a ex-vice-presidente Socorrinha, nome respeitado pela base azulada e pela história administrativa do Caprichoso.
Esse cuidado revela leitura fina do ambiente: no Caprichoso, tradição, memória e relações pessoais pesam tanto quanto articulação política formal.
O fator Mateus Assayag no tabuleiro azul
Sem alarde, Diego também mantém diálogo institucional com o prefeito Mateus Assayag, reforçando uma estratégia consciente de não fechar portas e evitar antagonismos desnecessários. Há, aqui, uma leitura objetiva da realidade: Diego hoje ocupa função na gestão municipal, como secretário, e sabe que Assayag não abrirá mão de participar de forma ativa do processo eleitoral do Boi Caprichoso. Nos bastidores, Diego deve comunicar sua saída da secretaria no momento considerado politicamente adequado.
Na política bovina contemporânea, especialmente diante do peso do poder público na logística, infraestrutura e financiamento do festival, ignorar esse fator seria um erro primário. Diego não ignora.
O diálogo com o prefeito, portanto, não é subserviência nem alinhamento automático. É realismo político, de quem entende o jogo e busca apoio.
A imagem que fala mais que discursos
O gesto mais simbólico até aqui ocorreu em 16 de janeiro de 2026. Uma fotografia, aparentemente simples, reuniu Rossy Amoedo, deputado federal Saullo Vianna, Diego Mascarenhas, o prefeito Mateus Assayag e o senador Omar Aziz (PSD). Para quem sabe ler imagens na política amazônica, aquela foto não foi casual.
Ali havia mais do que cordialidade: havia orientação, observação e sinalização de futuro. Mesmo sem anúncios públicos, o encontro indica que Diego já circula em ambientes onde se aprende a dosar tempo, discurso e alianças, habilidade essencial para quem pretende liderar o Caprichoso em um novo ciclo.

Críticas, rótulos e o silêncio estratégico
Os adversários tentam enquadrar Diego em estereótipos fáceis. Chamam de “playboyzinho”, de “engomadinho”. Mas o dado concreto é outro: ninguém questiona sua trajetória dentro do Caprichoso. Diego já foi diretor de galpão, passou pela área administrativa e hoje exerce a vice-presidência, cargos sensíveis que exigem responsabilidade, capacidade técnica e confiança interna.
Quanto à sua atuação no setor público, de onde partem inúmeras denúncias, na quase totalidade feitas pelo vereador Babá Tupinambá, que também demonstra interesse direto na eleição do Caprichoso, Diego não responde, ao menos publicamente, até o momento. A expectativa nos bastidores é que o faça no período eleitoral, considerado mais apropriado.
Na política, quando os ataques se concentram na forma e não no conteúdo, geralmente é sinal de incômodo com o crescimento do adversário.
Enquanto isso, Diego avança onde mais importa: nas conversas diretas com sócios e famílias de artistas, longe do barulho das redes sociais e perto do cotidiano real do boi.
Um tabuleiro cheio e em movimento
Até o momento, se articulam para disputar a presidência do Caprichoso, além de Diego Mascarenhas, os nomes de Erike Nakanome, Edwan Oliveira, Carmona Oliveira, Márcio Azedo, Tarcísio Coimbra e Neto Cardoso.
Desses, apenas Carmona Oliveira já foi presidente. Presidente Bicampeão, é justamente Carmona quem hoje disputa, com Diego, espaço político no entorno do senador Omar Aziz.
Carmona passou a semana inteira em Parintins em reuniões com sócios, mas um detalhe não passou despercebido nos bastidores: não integrou a agenda oficial do senador na Ilha, tendo viajado, antes da programação.
Na política, e no boi, ausências também comunicam.
Até abril, o jogo segue aberto
Até abril, o cenário seguirá em ebulição. Haverá pernadas, reacomodações e quebra de acordos, tanto na política partidária quanto na política bovina. Mas um ponto já se consolida: Diego Mascarenhas demonstra método, identidade e lado.
Assume que vai caminhar com o senador Omar Aziz como pré-candidato ao Governo do Amazonas, reafirma suas raízes caprichosas, herdadas de sua mãe, Nazaré Leitão, e constrói sua trajetória sem romper com a história recente do Caprichoso.
No Caprichoso, isso não é detalhe.
É estratégia.
Texto: Hudson Lima
(92) 99154-2015