Eleição do Boi Caprichoso: Votar na Chapa 1 é escolher a ponte que nos une em vez do muro que nos separa

Eleição do Boi Caprichoso: Votar na Chapa 1 é escolher a ponte que nos une em vez do muro que nos separa Foto: Divulgação Notícia do dia 07/09/2026

O Festival Folclórico de Parintins vive de títulos, celebrações e da magia que ganha forma na Arena do Bumbódromo. No entanto, uma instituição centenária como o Boi-Bumbá Caprichoso não se sustenta apenas de troféus de arena. 

Ganhar na Arena é bom, mas não é tudo. A verdadeira grandeza de um boibumbá se mede, também, pelo respeito à sua comunidade, pela 
responsabilidade financeira e pela valorização do seu maior patrimônio: o sócio torcedor.


A atual gestão, que tenta perpetuar seu grupo ao apoiar o vice-presidente em exercício, entrega vitórias na arena, mas deixa um rastro de distanciamento e sombras nos bastidores. O sócio foi progressivamente afastado do cotidiano do boi. Hoje, quem sustenta a paixão azul e branca não conta com benefícios sociais concretos, não tem descontos ou preferência real na compra de ingressos  para o festival e assiste, passivamente, à perda de espaço em decisões cruciais — como a escolha dos itens e das toadas, a construção dos temas, a valorização de fundadores, padrinhos e famílias tradicionais e a transparência da gestão. O 
Caprichoso tornou-se um espetáculo para muitos, um astro na arena, mas uma  estrela distante daqueles que verdadeiramente o constroem.


Ressalte-se que a atual gestão, como a anterior, foi eleita por aclamação, sem lhe ter sido consignado sequer um voto na urna, razão pela qual tanto se distanciou do sócio torcedor, eis que se ouve, à boca pequena, que “não deve nada a ninguém”.


Somam-se a esse cenário administrativo preocupações financeiras alarmantes, 
amplamente expostas e debatidas. A dívida acumulada que ultrapassa a marca dos R$ 11 milhões reflete uma gestão fiscal que exige rumos mais seguros. A situação atinge contornos simbólicos quando o próprio candidato a vicepresidente da chapa situacionista - atual diretor de arena - acionou o Caprichoso na Justiça do Trabalho cobrando salários não pagos — um retrato da urgência por profissionalismo e respeito aos compromissos da instituição. Frise-se: acionou na Justiça do Trabalho a própria associação que pretende dirigir na condição de vice-presidente.



É por essas razões que a Chapa 1, liderada por Márcio Azedo e Afrânio 
Gonçalves, surge como a escolha necessária. A proposta representa a 
reconexão essencial entre a diretoria e o sócio, devolvendo a este o protagonismo decisório, a transparência e as vantagens merecidas por sua fidelidade, aliadas a uma gestão financeira responsável e pautada no equilíbrio.


Com o lema “Renovação e Tradição”, Márcio Azedo e Afrânio Gonçalves propõem um plano de gestão com medidas que englobam o fortalecimento dos sócios, a recuperação do patrimônio – como a reconstrução e revitalização do 
Clube Caprichoso e o funcionamento contínuo da Escolinha de Artes e do Curral 
Zeca Xibelão – a valorização das famílias tradicionais, trabalhadores e artistas, a devolução da autonomia criativa aos compositores, e, principalmente, unir renovação e tradição na construção de um Boi forte dentro da arena, com efetiva fiscalização do julgamento para evitar situações que possam prejudicar o Caprichoso durante a competição.


Pelo momento que o azul e branco atravessa, com a presença de um “gigantesco muro” separando o boi dos sócios, a proposta da Chapa 1 surge como uma “ponte segura e espaçosa” para trazer o sócio de volta ao protagonismo que lhe 
é de direito.

Tal situação traz à memória os versos atemporais de Maurício Tapajós e Paulo César Pinheiro na canção Pesadelo, cuja letra, que inicia com a máxima “Quando um muro separa uma ponte une”, arremata, em outro trecho, o que bem representa o pavor da atual gestão de perder as eleições: “E se a força é tua ela um dia é nossa. Olha o muro, olha a ponte, olhe o dia de ontem chegando. Que medo você tem de nós, olha aí”. Conclamo, portanto, todos os sócios, que, assim como eu, estão do outro lado do muro construído pela atual administração, para juntos, no dia 13 de setembro, sem pressão e com alegria no rosto, atravessarmos a ponte que nos é oferecida por Márcio Azedo e Afrânio Gonçalves.


Texto opinativo de Ariosto Braga, autor é mestre em direito, advogado e compositor