Escola Estadual Senador João Bosco, de Parintins, supera milhares de inscritos e é a única do AM na final da Olimpíada Brasileira de Sociologia

Com um jogo de tabuleiro inovador focado na causa indígena e no ensino contracolonial, a "Equipe Bourdieu" busca apoio financeiro para viajar ao Rio de Janeiro.

Escola Estadual Senador João Bosco, de Parintins, supera milhares de inscritos e é a única do AM na final da Olimpíada Brasileira de Sociologia Notícia do dia 28/05/2026

PARINTINS (AM) — Dias intensos, madrugadas adentro dedicadas à pesquisa profunda e muita criatividade. Esse foi o preço da dedicação de três estudantes da Escola Estadual Senador João Bosco, em Parintins, que colheram o maior fruto de suas trajetórias escolares até aqui: a classificação para a grande final presencial da 1ª Olimpíada Brasileira de Sociologia (OBS 2026). Diante de milhares de equipes inscritas em todo o país, o trio parintinense desbancou concorrentes e consagrou-se como a única equipe representante do estado do Amazonas a chegar à etapa final, que acontecerá no Rio de Janeiro entre os dias 19 e 20 de junho.

 

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A conquista é resultado do processo de gamificação da educação — quando elementos de jogos são usados para engajar e ensinar. Os alunos Enzo Gabriel de Oliveira Cruz, Gabriele Lavor Lima e Adria Vitória Silva Brandão criaram, do zero, um jogo de tabuleiro inovador. A obra aborda a riqueza cultural dos povos originários e, ao mesmo tempo, problematiza e joga luz sobre os atuais e urgentes desafios enfrentados pelos povos indígenas na Amazônia.

 

Protagonismo juvenil e educação antirracista

A professora e orientadora do projeto, Cristiana Andrade Butel, faz questão de enfatizar que o mérito da criação é totalmente dos estudantes. "A construção do jogo foi completamente deles. O meu papel foi o de orientar, de lapidar e polir aquilo que, por si só, já era incrível. Essa classificação prova, de forma incontestável, que os estudantes de Parintins têm acesso e constroem uma educação de excelência", destaca com orgulho.

 

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Para a educadora, a escolha do tema vai muito além da busca por medalhas ou títulos. "Nossa escola possui o selo de Escola Antirracista. Sempre que tivermos a oportunidade de mostrar uma história que os livros didáticos tradicionais não nos contaram, nós faremos. Esse jogo é exatamente essa oportunidade. É um material que aborda questões reais e cruas, mas que passa a ser, também, uma ferramenta pedagógica fantástica para um ensino contracolonial", relata a professora.

 

A corrida contra o tempo e a busca por apoio

 

Apesar da euforia e do reconhecimento pedagógico, a equipe enfrenta agora um desafio extraclasse que gera apreensão: a falta de recursos financeiros para custear as passagens aéreas de Parintins até a capital fluminense. Embora a organização da Olimpíada garanta a hospedagem e a alimentação no Rio de Janeiro, o deslocamento interestadual fica a cargo dos participantes.

 

O desabafo da orientadora reflete a realidade enfrentada pela ciência e pela educação pública no interior do país. "Estamos lutando muito para conseguir ir. Sabemos que, infelizmente, quando o assunto é apoio para a educação, são poucos aqueles que nos estendem a mão. Não se trata de um evento festivo que dê visibilidade imediata, então o caminho fica mais difícil. Mas nós acreditamos na força do nosso projeto e estamos confiantes de que teremos sucesso nos pedidos que já oficializamos junto à Secretaria de Estado de Educação (SEDUC) e a outros parceiros", afirma Cristiana.

 

A viagem da Equipe Bourdieu não é apenas a participação em um evento acadêmico; é a voz da Amazônia e de Parintins ocupando um lugar de destaque no debate sociológico nacional. Agora, a expectativa da comunidade escolar se volta para as autoridades, empresários que queiram ajudar e órgãos competentes na esperança de que o talento e o esforço desses jovens cientistas não parem na falta de incentivo.