Festival Folclórico de Parintins na arte de Pedro Evangelista

Hoje, ele colhe os frutos desse empenho com a aprovação de seu projeto “Cenas do Festival Folclórico de Parintins – Colagismo em E.V.A.”

Festival Folclórico de Parintins na arte de Pedro Evangelista Notícia do dia 10/03/2021

Em um ano que não foi possível trabalhar na sua principal atividade, Pedro Evangelista, 46, coreógrafo do Boi-Bumbá Garantido desde 1996, usou esse período de isolamento para desenvolver uma outra habilidade. Com isso, a técnica de colagem em E.V.A. (espuma vinílica acetinada), passou a ser mais que um “hobby”. Hoje, ele colhe os frutos desse empenho com a aprovação de seu projeto “Cenas do Festival Folclórico de Parintins – Colagismo em E.V.A.”, em um dos editais da Lei Aldir Blanc (nº 14.017/2020), de 2020, lançado pela Secretaria Municipal de Cultura.
Há mais de oito anos Pedro já utiliza esse artifício em trabalhos particulares. Mas, somente agora veio a oportunidade para a realização do seu desejo de fazer uma exposição. De acordo com sua proposta ele terá que apresentar 05 quadros de 1m x 0,80m, representando cenas da festa parintintin. Eles serão expostos em locais a serem definidos ainda, por conta da restrição de circulação de pessoas na cidade. 
A colagem em E.V.A. é uma técnica muito popular no Brasil e Pedro acrescentou um aspecto artístico inovador quando passou a produzir telas que imitam uma pintura. Somente ao serem observadas com proximidade percebemos toda a estética e os detalhes que o artista aplicou a sua obra.
Perguntado sobre quanto tempo leva para concluir um quadro, ele respondeu. “Para fazer, com detalhes e acabamento, cada um leva em média três semanas para ficar pronto. E tem que estar bem feito, sou um artista exigente nos mínimos detalhes. Mas, sou um artista que também reconhece que estou iniciando nesta jornada e sigo errando, aprendendo, mas sempre buscando o melhor resultado possível”. 
Sobre o processo de construção, Pedro Evangelista ponderou sobre cada etapa, mas sem “revelar os segredos”. Explicou que são passos simples, mas que precisam ser bem executados e determinantes para o bom resultado ao final do processo. Primeiro, conta que por influência de seu irmão, Roosevelt Evangelista (grande inspiração como artista), o uso de quadros com molduras em madeira e fundo em compensado (ou outro material parecido) foi melhorado. Na segunda parte, vem a pintura e a montagem do quadro. Depois, se inicia o desenho e o planejamento da colocação de cada peça de E.V.A., o que exige muita atenção pra evitar o desperdício de material. Na quarta etapa, começam os cortes e a colagem, como se fosse a montagem de um quebra-cabeça. Isso tudo antes de serem fixados no quadro, que é o quinto passo do processo. E, por último, o acabamento, que inclui leves pinturas e retoques em peças que estejam deslocadas ou que possam melhorar o aspecto visual, dando a característica de uma tela.
Questionado se vai deixar de ser coreógrafo, Pedro responde que não. “Quero me planejar para que quando a pandemia passar eu possa voltar ao trabalho no Boi Garantido. Mas vou buscar mesclar as duas atividades. É muito bom quando descobrimos que somos capazes de aprender e melhorar nossas habilidades. Por isso, agora quero atuar em paralelo como coreógrafo e artista visual”. 
E, quem quiser conhecer o resultado do trabalho do artesão com o colagismo em E.V.A., basta aguardar um pouco mais. A exposição está marcada para o mês de junho deste ano e será de maneira presencial e virtual, pelas redes sociais. No entanto, já é possível ver dois de seus quadros em exposição “móvel” em prédios públicos de Parintins, incluindo o Mercado Central, no Centro da cidade, que fazem parte do Projeto Puxirum (Coletivo que reúne diversos projetos artísticos/culturais).