A comida fantasiada “de verdade” é pura mentira: é um “gostoso veneno” viciante; droga lícita mascarada de nutrição. Foto: Helena Pontes/Agência IBGE Notícias
Notícia do dia 08/05/2026
A dinâmica seducionista, maliciosa estratégia de administrações ditas públicas sobre populações desavisadas, faz lembrar a antítese poética de Nei Lopes e Wilson Moreira cantada por Alcione. Em termos figurativos, no caldeirão de datas comemorativas, guloseimas festeiras entorpecem populações dependentes de saborizações politiqueiras cujos resultados viciam paladares, alienam mentes e o desfecho são perdas de autonomia, graves doenças seguidas de óbitos.
A presente abordagem traz problematizações pertinentes à situação/condição alimentar física e mental do povo brasileiro a partir de impositivos ideológicos embasados em aliancismos: mercado, gestões administrativas e analfabetismo político-social.
Lá atrás, correntes e setores comprometidos com uma qualidade de vida saudável insistem na implantação do protocolo “Brasil sem Fome” relacionado à Segurança Alimentar e Nutricional. A estratégia se volta ao “enfrentamento à insegurança alimentar e nutricional e erradicação da fome”. Por esse olhar destaca-se o projeto “Comida de Verdade nas Escolas do Campo e da Cidade”, que propõe a inclusão de produtos da agricultura familiar no Programa Nacional de Alimentação Escolar.
Sob a lógica do projeto tende-se acreditar que a “comida de verdade” venha dos elementos/elementais gerados no originário Ventre da Mãe Terra: frutos, sementes, verduras e demais nutrientes necessários e fundamentais à saúde – Direito Universal.
No entanto, há profundas contradições! Os conceitos – comida e alimentação – divergem semanticamente. Segundo Hipócrates, Pai da Medicina, Comida é tudo o que se ingere indiscriminadamente por necessidade ou imposição cultural; Alimento é o que anima, aduba, nutri, evolui e dialoga com a alma. Por essa trilha, o Médico Grego viveu mais de 400 anos com plena saúde.
Sob as pegadas de Hipócrates, Mahatma Ghandi declarava: “A sede do paladar não está na língua, mas na razão”. O Líder Indiano viveu em plena saúde até aos 75 anos, quando foi assassinado por defender direitos universais.
Fatos e testemunhos diários confirmam: a comida fantasiada “de verdade” é pura mentira: é um “gostoso veneno” viciante; droga lícita mascarada de nutrição sob acordos sistêmicos com foco na lucratividade laboratorial a partir de adoecimentos generalizados.
A sedução estruturante está “discunforme grande”!... Intenções politicosas envenenam mentes, paladares de populações desvalidas, desatentas: crianças, adolescentes, jovens, idosXs... A magia é saborizada por refrigerantes, embutidos, processados, ultraprocessados, gorduras hidrogenadas, emulsificantes, fast-food e outras drogas sob disfarces de celebrações até mesmo de caráter religioso, como a páscoa! Por falar em páscoa, o chocolate tem sido a máscara adocicada para camuflar a fome física, intelectual, emocional e até espiritual instalada entre as categorias marginalizadas e vulnerabilizadas.
Quantas crianças são envenenadas com falsos chocolates durante a páscoa!... Alguém assume a responsabilidade pela saúde dessas crianças?... Há prestação de contas sobre tais investimentos retirados de recursos públicos?...
O jogo seducionista avança. A meta é a conquista de poder, domínio a partir da proliferação em massa do analfabetismo político social.
E no meio de toda a balbúrdia as intenções agora se voltam às mães cuja estratégia seducionista legitima homenagens com panelas, pratos, fogões, ferros de engomar, máquinas de lavar, assadeiras, liquidificadores, batedeiras e outras bugigangas similares ao universo da exploração doméstica sobre as mulheres.
Ah, sim! Sorteio de carro!
E a ingenuidade (padrão singular da mulherada submissa, carente, dependente...) submete-se ao comando determinista: aglomera os espaços, perde o próprio tempo, atrai adoecimentos sem percepções racionais de que as cartas já estão marcadas!
Antídotos interventivos???... O Educador Paulo Freire aponta o caminho: “Somente a educação crítica é a futuridade revolucionária... portadora de esperança”.
Maria de Fátima Guedes Araújo. Caboca das Terras Baixas da Amazônia. Educadora popular, pesquisadora de saberes popular/tradicionais da Amazônia. Licenciada em Letras pela UERJ (Projeto Rondon/1998). Com Especialização em Estudos Latino-americanos pela Escola Nacional Florestan Fernandes/ UFJF. Fundadora da Associação de Mulheres de Parintins, da Articulação Parintins Cidadã, da TEIA de Educação Ambiental e Interação em Agrofloresta. Militante da Marcha Mundial das Mulheres (MMM) e Articulação Nacional de Movimentos e Práticas de Educação Popular em Saúde (ANEPS). Autora das obras Ensaios de Rebeldia, Algemas Silenciadas, Vestígios de Curandage, Retalhos de Cidadania e do Dicionário Falares Cabocos (Organizadora).