Pequenos da Floresta: quando a memória de Parintins encontra as crianças

Pequenos da Floresta: quando a memória de Parintins encontra as crianças Fotos: Divulgação Notícia do dia 08/01/2026

Parintins é feita de histórias que não cabem apenas nos livros. Elas vivem nas casas antigas, nas capelas de bairro, nas conversas demoradas dos mais velhos, nos caminhos percorridos todos os dias pela cidade. Pensando nisso, surge o projeto Pequenos da Floresta, idealizado por Erika Baranda Clark e por sua filha, Maria Clara Baranda Clark, como um gesto de cuidado com a memória cultural do município e com as futuras gerações.

 

O projeto nasce da compreensão de que uma parte essencial da história de Parintins está guardada na memória dos idosos. São lembranças transmitidas oralmente, carregadas de afeto, fé e pertencimento, que correm o risco de se perder se não forem registradas agora. Pequenos da Floresta transforma essas memórias em narrativas acessíveis às crianças, criando pontes entre o passado e o presente.

 

 

As histórias são construídas a partir de escutas sensíveis e vivências reais. Em visitas como a realizada à Casa dos Maranhão, Dona Maria Lúcia, aos 98 anos, compartilha lembranças de seu avô e de sua mãe, revelando fragmentos da Parintins de outros tempos — uma cidade que se transforma, mas que mantém suas raízes vivas. Outro momento marcante é a visita à capela do Seu Waldir Viana, espaço que reúne fé, tradição e identidade comunitária, elementos profundamente ligados à formação do povo parintinense.

 

Para dar vida a essas narrativas, o projeto criou personagens inspirados no cotidiano local. Aru e Aruá são duas crianças de bois contrários — ele Garantido, ela Caprichoso — que, apesar das diferenças, brincam juntas e criam seu próprio boizinho, o Aruê. Devotas de Nossa Senhora do Carmo, elas aprendem e compartilham valores como respeito, fé, cuidado com a cidade e amor pela cultura popular.

 

 

O projeto Pequenos da Floresta também amplia seu olhar para temas sociais atuais. A adoção responsável de animais aparece representada pelo cachorro caramelo Rabuntazinha e pelo gato Tucumã. Personagens como Seu José, um tricicleiro que percorre a cidade levando histórias dos mais velhos, e Seu Raimundo, pescador que apresenta às crianças a vida e a memória das comunidades rurais de Parintins, ajudam a mostrar que a cidade é feita de muitas vozes e realidades.

 

As narrativas passam ainda por instituições que marcaram gerações, como o Colégio Araújo Filho, reforçando a importância da educação na construção da identidade parintinense.

 

 

Atualmente presente nas redes sociais, o projeto Pequenos da Floresta nasce com vocação para crescer e se desdobrar em outros formatos, como exposições, revista infantil e animação. Mais do que um projeto cultural, ele se afirma como um registro vivo da memória de Parintins — um convite para que as crianças conheçam, valorizem e se reconheçam na história da cidade onde vivem.

 

Porque quando uma criança escuta uma história, ela não aprende apenas sobre o passado. Ela aprende a cuidar do lugar que chama de lar.

 

Texto: Matheus Lima