Projeto Arraias do Bosque promove ação para conscientizar sobre conservação de tubarões e arraias no INPA

Exposição no Bosque da Ciência reuniu pesquisadores e visitantes para desmistificar a imagem desses animais e destacar sua importância para os ecossistemas amazônicos

Projeto Arraias do Bosque promove ação para conscientizar sobre conservação de tubarões e arraias no INPA Fotos: Ytallo Byancco Notícia do dia 15/07/2026

O projeto Arraias do Bosque realizou, uma ação educativa no Bosque da Ciência, do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA), em alusão ao Dia Mundial da Conscientização sobre Tubarões e Arraias. A programação buscou aproximar o público desses animais, combatendo mitos e mostrando seu papel essencial para a manutenção dos ecossistemas aquáticos.

 

Durante a atividade, pesquisadores apresentaram espécies encontradas na Amazônia, curiosidades sobre tubarões que percorrem o Rio Amazonas e exemplares preservados na Coleção de Peixes do INPA.

 

Segundo a pesquisadora Lúcia Helena Rapp Py-Daniel, curadora da Coleção de Peixes do INPA, embora sejam animais marinhos, algumas espécies conseguem percorrer grandes distâncias pelos rios amazônicos.

 

f3a167ac-ef83-4f26-bf4f-e963385be02c.jpeg

 

“Existem registros da entrada de tubarões pelo estuário do Amazonas que chegam até Iquitos, no Peru. Há registros inclusive de fêmeas grávidas que chegaram e pariram lá.”

 

Ela também destacou que a coleção abriga um exemplar juvenil de peixe-serra coletado em Manacapuru há quase duas décadas, evidenciando a capacidade desses peixes cartilaginosos de penetrar profundamente na bacia amazônica.

 

Lúcia Helena ressaltou ainda a importância científica do acervo.

“A Coleção de Peixes do INPA é a maior coleção de peixes da Amazônia e atualmente a segunda maior coleção de peixes do Brasil.”

 

O coordenador do Programa de Pós-Graduação em Biologia de Água Doce e Pesca Interior, doutor Lucas Castanhola Dias, afirmou que a proposta da iniciativa é combater a visão negativa construída sobre esses animais.

 

6dbcb767-3623-48fd-856f-cd71a174f009.jpeg

 

“Nosso intuito é desvilanizar esses animais. Eles exercem funções importantes no ecossistema, e esperamos que as pessoas saiam daqui com outra perspectiva sobre sua importância ecológica.”

 

Entre as informações apresentadas aos visitantes esteve a de que as arraias não atacam pessoas deliberadamente, utilizando o ferrão apenas como mecanismo de defesa quando se sentem ameaçadas.

 

A exposição também destacou que a Amazônia possui mais de 22 espécies descritas de arraias, incluindo a arraia-maçã, a arraia-motoro e a arraia-cururu, espécie endêmica da região de Barcelos e considerada uma das menores do mundo.

 

A programação contou ainda com relatos de quem convive diretamente com esses animais. O pescador paraense Willians Santos contou que já capturou tubarões durante pescarias na região da Baía do Guajará, no Pará, mas sempre devolveu os animais à água.

 

“Já consegui pegar tubarões no rio, mas sempre soltamos. Nosso objetivo era pescar outras espécies. Quando vi, reconheci imediatamente que era um tubarão.”

 

A ação reforçou que educação ambiental e divulgação científica são ferramentas fundamentais para ampliar o conhecimento da população e fortalecer a conservação da biodiversidade amazônica.