Vendilhagens

 “O ladrão vem somente para roubar, matar e destruir; Eu vim para que tenham vida e a tenham em abundância”. (João:10-10)

Vendilhagens Ataques dos EUA à Venezuela confirmam o avanço de estratégias abusivas e dominadoras sobre territórios e geram protestos em várias capitais brasileiras. Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil Notícia do dia 08/01/2026

O poder do capital sobre sistemas políticos, sociais, religiosos, ambientais que regem as variadas formas de vidas que habitam o Planeta revela uma total impossibilidade de reinvenção ao Bem-Viver Universal*, ao direito a que “todos tenham vida em abundância”: a ganância de países imperialistas sobre riquezas territoriais testemunhada na invasão dos Estados Unidos à Venezuela confirma as Palavras do Líder Cristão.  

 

É visível e de certa forma incontrolável o avanço de estratégias abusivas e dominadoras sobre territórios, comunidades, movimentos sociais, coletivos cujas populações e categorias diversificadas perdem a autonomia, a capacidade de reagir e intervir movidas por crenças dogmáticas em poderes mascarados de sustentabilidade social, política e até religiosa.

 

A presente indignação é contínua: sentimo-nos acuadas e acuados frente a estratégias manipuladoras. Dentre estas, os festejos ditos natalinos - passaportes ímpares à efetivação do atual contexto. Em testemunho, não dá pra esquecer: aos 23 de novembro de 2025, em nome do nascimento de Jesus de Nazaré, “um trabalhador morreu e outro ficou ferido após um guindaste tombar durante a montagem da árvore de Natal no Largo São Sebastião, no Centro de Manaus/Am”. (g1AM-Manaus)

 

E o silêncio se fez materialidade...

 

Questões similares comprovam o falseamento sobre a vida e aos legítimos anúncios do Nazareno referendados em vários momentos de sua passagem por aqui. Os propósitos natalinos sob as diretrizes do capital resumem-se em lucratividades, independente das consequências às vulnerabilidades: transformam-se em abusos e desvios de recursos públicos em farsas decorativas, em fogos de artifícios, bebedeiras, comilanças tóxicas, agressões familiares e mortes. Incluindo-se ainda o volume de lixo sem quaisquer destinações corretas.

 

Na contramão de toda a hipocrisia natalesca, o Escritor Rubem Braga*, com sutileza poética denuncia a farsa: “Sorrio: é o caminhão de lixo. Bonito presente de natal!”

 

 

Inquisição em Movimento

 

A origem do natal vem da Irlanda do Norte. Os povos Celtas celebravam entre os dias 21 ou 22 de dezembro a “Festa do Sol”, “quando a criança divina nascerá da Mãe”. Era um período sagrado do ano dedicado ao cultivo das sementes e à colheita. Aquelas comunidades reuniam regiões vizinhas que durante as celebrações trocavam experiências de cultivo, de observação do clima e de organização comunitária como meio de garantir modos de vida sustentáveis a todas as espécies indistintamente. Prevalecia a consciência da pluriversidade. 

 

A amplitude da “Festa do Sol” celebrada há mais de 2.000 anos (AEC)* por aqueles povos chamou a atenção da igreja católica. A Religião da Grande Deusa* confirma: “foi justamente para se aproveitar dessa antiga data festiva que os católicos instituíram a celebração do nascimento de sua criança divina justamente no dia 25 de dezembro”.

 

Após a apropriação dos valores espirituais da cultura Celta, o cristianismo oficializara a inquisição aos que insistissem cultuar aqueles princípios e aos que mantêm até hoje a sintonia com os antigos rituais. Em princípio, a morte se antepõe ao direito à vida; quebram-se relações solidárias entre humanos e Mãe Terra e em nome da “criança divina” vendilhões ampliam lucratividades em total contradição aos anúncios do Nazareno. 

 

E, assim, a “criança divina” fora transformada em propaganda mercantil. Vendilhagens ganham dimensões incontroláveis sob total silêncio da parte de quem se declara representante social e político; de quem é de dever e de direito fazer valer a coerência e a Justiça. 

 

Tais problematizações, batem dúvidas: as referências representativas dos poderes instituídos seriam os “vendilhões dos templos”, os “fariseus hipócritas”, os “sepulcros caiados” denunciados pelo Filho do Homem*?...

 

Ressalto: a liberdade de expressão compartilhada na criação desses rascunhos responde a assimilações de auto despertares anunciados por Iluminadas e Iluminados durante minhas buscas por Sabedoria, Justiça e Amorosidade.

 

Falares de Casa

AEC –Antes da Era Comum o mesmo que a.C (antes de Cristo). Aneline De Carli e Sílvia Zonatto. Intenção da autoria: utilizar uma expressão neutra em referências religiosas. Mandala Lunar. IPSIS Gráfica e Editora Primavera de 2025. RS.

A Religião da Grande Deusa – Raízes Históricas e Sementes Filosóficas. Cláudio Crow Quintino. Editora Gaia. SP/2000  

O Filho do Homem – Palavras Ditas e Recordadas por Aqueles que Viveram com Ele. Khalil Gibran. Editora Martin Claret. SP/2005 

Rubem Braga. 200 Crônicas Escolhidas. Global Editora. SP/2024

 

Maria de Fátima Guedes Araújo. Caboca das Terras Baixas da Amazônia. Educadora popular, pesquisadora de saberes popular/tradicionais da Amazônia. Licenciada em Letras pela UERJ (Projeto Rondon/1998). Com Especialização em Estudos Latino-americanos pela Escola Nacional Florestan Fernandes/ UFJF. Fundadora da Associação de Mulheres de Parintins, da Articulação Parintins Cidadã, da TEIA de Educação Ambiental e Interação em Agrofloresta. Militante da Marcha Mundial das Mulheres (MMM) e Articulação Nacional de Movimentos e Práticas de Educação Popular em Saúde (ANEPS). Autora das obras, Ensaios de Rebeldia, Algemas Silenciadas, Vestígios de Curandage, Retalhos de Cidadania e Organizadora do Dicionário - Falares Cabocos.