Benedita da Silva: 'Se fôssemos iguais, não teríamos levado 400 anos para votar'

Fala da deputada federal ocorreu durante Reunião de Mulheres Parlamentares do P20, no Congresso Nacional e recebeu aplausos

Benedita da Silva: 'Se fôssemos iguais, não teríamos levado 400 anos para votar' "Passados pouco mais de 100 anos fim da escravização do país, ainda vivemos as suas consequências", declarou Benedita em seu discurso no P20 - (crédito: Bruno Spada/Câmara dos Deputados) Notícia do dia 08/11/2024

Eleita coordenadora geral dos Direitos da Mulher da Secretaria da Mulher da Câmara dos Deputados em 2023, a deputada federal Benedita da Silva (PT-RJ) celebrou o avanço em se realizar um encontro só entre mulheres parlamentares. A 1ª Reunião de Mulheres Parlamentares do P20, realizada em julho, em Maceió, Alagoas, teve sequência nesta quarta-feira (6/11), em Brasília, no Congresso Nacional.

 

O primeiro dia do 10ª Cúpula de Presidentes dos Parlamentos do G20, o P20, entregou a Carta de Alagoas, fruto das discussões em Maceió, e coloca em pauta discussões que possibilite a criação de soluções para implementar as 17 recomendações do documento para fomentar a igualdade de gênero. Benedita foi ovacionada em seu pronunciamento. A deputada ressaltou a luta feminina na conquista de direitos básicos, historicamente concedidos a homens.

 

“Muitas pessoas ainda nos perguntam o porquê desse recorte, se somos todos iguais. Eu então, eu pergunto: 'Se fosse assim, não teríamos levado 400 anos para ter o direito de votar e serem votadas, e conquistar um acento no parlamento'”, pontuou. 

 

Benedita da Silva destacou a importância da existência de um fórum no qual a igualdade de gênero pode ser discutida dentro dos temas do G20, como a governança global, erradicação da pobreza e fome, a sustentabilidade e a justiça climática seja abordada sobre a ótica do gênero e da raça.

 

“Se fossemos iguais a paridade seria uma realidade na nossa vida”, continuou. “Enfrentei todos os problemas que os grupos marginalizados do nosso país enfrentam. Ao abraçar as minhas parceiras de luta e de classe, ao experimentar as necessidades da nossa comunidade, eu entendi que sem representatividade política, não conseguimos muito”, contou.

 

A deputada petista também falou sobre igualdade racial: “Passados pouco mais de 100 anos fim da escravização do país, ainda vivemos as suas consequências”, e lembrou da trajetória: “Vivi uma vitória solitária, que não tem a mesma força das vitórias coletivas. Quando nos juntamos resolvemos um problema que até então não havia sido percebido por falta de representatividade. Mostramos a importância da presença feminina na política”.

 

No cargo de coordenadora geral dos Direitos da Mulher da Câmara até 2025, Benedita foi uma das mulheres presentes na abertura do evento, e que discursou em uma das três sessões de trabalho apresentadas nesta quarta. O tema do primeiro dia do P20 é “Rumo à implementação das recomendações da 1ª Reunião de Mulheres Parlamentares do P20”, e também contou com a deputada federal Maria do Rosário (PT-RS), a líder da bancada feminina, a senadora Leila Barros (PDT-DF), e com a Presidente da União Interparlamentar (UIP), Tulia Ackson, membra do parlamento da Tanzânia.

 

Por Correio Braziliense