Mudança no secretariado e coordenadores entra no radar da gestão Mateus Assayag

Avaliação silenciosa da máquina pública indica ajustes ainda em janeiro, com foco em entrega, recomposição de estruturas e preparação do governo para o cenário eleitoral de 2026

Mudança no secretariado e coordenadores entra no radar da gestão Mateus Assayag Foto: Reprodução Notícia do dia 08/01/2026

Sem comunicados oficiais e longe de qualquer anúncio público, a gestão do prefeito Mateus Assayag (PSD) começou a operar uma revisão silenciosa da estrutura administrativa. Mateus e sua vice-prefeita Vanessa Gonçalves (MDB) completaram um ano de gestão em 1º de janeiro de 2026, marco que passou a funcionar, nos bastidores, como ponto de virada para um novo ciclo administrativo.

 

Fontes ouvidas pela coluna indicam que mudanças devem começar a ocorrer ainda neste mês de janeiro, como parte de um rearranjo pensado para dar mais ritmo à gestão e ajustar o time ao ambiente político e eleitoral que se desenha para 2026.

 

Fim do período experiência

 

A avaliação interna parte de um diagnóstico direto: o período de experiência acabou. A leitura no núcleo do governo é de que não há mais espaço para quadros que não estejam alinhados integralmente ao projeto da gestão ou que não entreguem resultados de forma consistente.

 

Secretários, subsecretários, coordenadores e coordenadoras passaram a ser observados com lupa. O critério central deixou de ser apenas a sustentação política e passou a ser a capacidade real de entrega, aliada ao ajuste econômico das secretarias. Internamente, os nomes já são classificados informalmente em três grupos: os técnicos, os políticos e os que conseguem unir técnica e articulação política, estes últimos, hoje, os mais valorizados.

 

Protagonismo feminino permanece

 

Uma diretriz, no entanto, segue fora de qualquer negociação. O protagonismo feminino permanece como marca da gestão. Mesmo com a reconfiguração em estudo, a presença de mulheres em cargos estratégicos deve ser preservada, sinal claro de que essa é uma decisão política consolidada dentro do governo de Mateus e Vanessa.

 

Pastas estratégicas sob observação

 

Algumas secretarias aparecem com mais frequência nas conversas reservadas. Assistência Social e Habitação, Saúde e Obras são tratadas como áreas que devem passar por modificações ainda em janeiro, não necessariamente por insatisfação, mas pela necessidade de recompor a estrutura, redistribuir funções e dar mais agilidade à execução.

 

Outras pastas seguem sob observação por fatores que extrapolam a rotina administrativa. Planejamento (SEPLAN), Limpeza Pública (SELIP) e Infraestrutura (SEMINF) entraram no radar por um elemento político-cultural sensível: seus titulares ventilam disputar espaços nas eleições internas do Caprichoso e do Garantido.

 

Agenda paralela e segundo escalão

 

A leitura dentro da gestão é pragmática: quando a agenda política paralela cresce, a administrativa costuma pagar a conta. Por isso, o foco da avaliação não se limita ao primeiro escalão. Cargos de coordenação passaram a ser analisados individualmente, e há expectativa de mudanças antes mesmo do Carnailha 2026, sobretudo onde falta presença política, articulação territorial ou resposta rápida às demandas do dia a dia.

 

Outro ponto que ganhou peso na revisão são os secretários extraordinários, atualmente responsáveis por funções múltiplas em diferentes secretarias. Segundo apurou a coluna, esse modelo também está sendo reavaliado e envolve, inclusive, a dinâmica política ligada ao boi-bumbá. A tendência é definir limites mais claros e evitar concentração excessiva de atribuições em poucos nomes.

 

No pano de fundo, o cálculo político é inevitável. Mateus Assayag mantém compromissos com sete dos oito deputados federais do Amazonas e com os três senadores, responsáveis por emendas que sustentam obras e investimentos no município. Esse alinhamento pesa, e o time começa a ser ajustado de olho na eleição de outubro.

 

Nos bastidores, a expectativa é de que não haverá uma reforma em bloco, tampouco movimentos ruidosos. O desenho em curso aponta para ajustes pontuais, graduais e cirúrgicos, com foco em eficiência, governabilidade e preparação do governo para o próximo ciclo político.

 

Texto: Hudson Lima -  (92) 99154-2015