Corpo de Osvaldo Alves é sepultado no Rio em cerimônia marcada por emoção e homenagens

Grande Mestre Osvaldo Alves faleceu na última segunda-feira (18), no Rio de Janeiro, aos 83 anos de idade

Corpo de Osvaldo Alves é sepultado no Rio em cerimônia marcada por emoção e homenagens Osvaldo Alves, grande nome da história do Jiu-jitsu, foi sepultado no Rio de Janeiro - Foto: Marcos Torquato Notícia do dia 19/07/2022

Familiares, amigos, alunos e demais admiradores se despediram de Osvaldo Alves nesta terça-feira (19), no cemitério São João Batista, localizado em Botafogo, na Zona Sul do Rio de Janeiro, onde a “Enciclopédia do Jiu-Jitsu” foi velado e sepultado. A lenda da arte suave faleceu na última segunda-feira (18), aos 83 anos, devido a complicações causadas por um câncer de próstata.

 

Osvaldo Alves, um dos principais precursores do Jiu-Jitsu no Amazonas, estava internado há alguns dias no hospital Samaritano, no Rio de Janeiro. A despedida de Osvaldo foi marcada por muita emoção, homenagens e até mesmo um discurso emocionante do Ministro Luiz Fux, presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), além de aluno e grande amigo de Osvaldo Alves na arte suave.

 

“Hoje é um dia muito triste para a comunidade do Jiu-Jitsu. Escrevi pequenas palavras que significam e representam o que Osvaldo Alves foi para todos nós. ‘A comunidade do Jiu-Jitsu está de luto. Partiu para um novo plano celestial um grande homem e um grande mestre. Osvaldo Alves pensava no Jiu-Jitsu 24h por dia. Ele formou grandes campeões, e eu, em nome de todos os campeões aqui presentes, faço essa homenagem. Osvaldo era uma lenda do Jiu-Jitsu, um homem íntegro, honesto, dedicado e que não admitia indisciplinas. Eu perdi um amigo de 50 anos. 50 anos em que nós nos falávamos todos os dias, 50 anos de uma amizade leal e sincera.

 

Osvaldo Alves gostava que seus alunos tivessem uma elevada autoestima e que estivessem sempre confiantes, mas ele não admitia a arrogância. Ele gostava dos seus atletas humildes e ele tinha orgulho da arte que ensinava e orgulho do desempenho dos seus alunos. Eu tenho 70 anos e nunca parei no Jiu-Jitsu, muito pela força que o Osvaldo me dava. Osvaldo, agradecemos pela sua existência e agradecemos pelos seus ensinamentos. Que ele se orgulhe dos seus ensinamentos e orgulhoso do que ele foi para todos nós. Nós nunca vamos deixar morrer a Escola Osvaldo Alves de Jiu-Jitsu”, disse Luiz Fux.

 

Trajetória de Osvaldo Alves

 

Nascido no dia 10 de dezembro de 1938, no Acre, mas criado no Rio de Janeiro, Osvaldo Alves iniciou na luta aos 5 anos de idade e teve uma vida dedicada ao crescimento do Jiu-Jitsu. Recentemente, ele estava morando em Manaus, no Amazonas, onde também ajudou a propagar o esporte.

 

Faixa-vermelha 9º Dan, Osvaldo Alves colecionou histórias marcantes, em especial sobre a evolução da arte suave, daí seu apelido de enciclopédia. Tendo seus primeiros passos nas artes marciais através do Judô, ele teve seu início no Jiu-Jitsu fazendo parte da academia Gracie, no Rio de Janeiro, por meio de um convite do Grande Mestre Carlos Gracie, que o chamou para integrar sua equipe de alunos.

 

A partir disso, concentrou seus esforços em aprender o melhor da técnica do Jiu-Jitsu e do Judô. Ainda jovem, chegou a se mudar para o Japão, onde esteve por cinco anos para aperfeiçoar um jogo preciso e técnico nas duas artes marciais. No retorno ao Rio de Janeiro, Osvaldo Alves foi figura importantíssima na disseminação do Jiu-Jitsu da família Gracie, chegando a dar aulas na tradicional academia da família, localizada no Rio.

 

Anos depois, já com uma vasta experiência no Jiu-Jitsu, Osvaldo Alves desenvolveu sua própria academia – batizada de Academia Osvaldo Alves – e se consolidou como uma das principais figuras da história da arte suave. Prova disso são os alunos que ajudou a formar ao longo dos últimos anos, onde é possível citar nomes como Rodrigo Minotauro, Vitor Belfort, Ronaldo Jacaré, Amaury Bitetti, Paulo Filho, Zé Mário Sperry, Carlos Gracie Junior, Bibiano Fernandes, João Roque, Fredson Paixão, Sérgio Penha, entre outros.

 

 

 

Por Mateus Machado - tatame.com.br