Foto Arquivo de Família do seu Manoel Vieira da Silva
Notícia do dia 04/05/2020
No dia 25 de março de 2020 teve festa comemorativa dos 82 anos do senhor Manoel Vieira da Silva, na rua Cordovil, no Centro de Parintins. Esposa, filhas, filhos, netos e sobrinhos cantaram forte e desejaram saúde para o idoso. Seu Manoel sempre foi ativo na juventude quando atuava na antiga Coopjuta, no tempo épico da produção de juta e malva em Parintins. Depois de aposentar tornou-se grande “sajica”, palavra de origem no Tupi e regional que dizer o idoso ativo e com boa saúde. Ou seja, aguenta qualquer serviço braçal.
No caso do seu Manoel a paixão da vida era trabalhar em barco. Um excelente mecânico e marítimo. Porém, seu Manoel era bastante rígido com os filhos. Fazia a fiscalização sempre de bicicleta, a velha magrela bicicleta. Quando encontrava a turma na rua, metia o ralho e ordenava seguir o caminho da casa.
Católico fervoroso. Ele gostava do Festival, mas não tinha preferência por bumbá; torcia pelo Caprichoso e pelo Garantido. Queria mesmo era folclorear, relatou uma das filhas.

Bolo do aniversário no dia 25 de março para seu Manoel foto: Arquivo Família
A passagem desse ilustre senhor parintinenese encerrou de forma trágica, no leito do Hospital Jofre Cohen por volta das 16h do último sábado, dia 02 de maio.
Seu Manoel morreu em decorrência do Coronavírus. Vírus que já ceifou mais de 15 vidas somente em Parintins. O idoso agora entrou na triste estatística de mortes provocadas por vírus mortal que já matou mais de 7 mil pessoas no Brasil.
À coluna Poder/Koiote, a doméstica Elizandra Silva, relatou que o pai passou ruim em casa e dia 26 de abril a família decidiu levar ao Hospital. Ele ficou internado no Hospital Regional Jofre Cohen. “Ele morreu 16h30min ele deixou 8 filhos. Nome da minha mãe é Rosângela, do meu Pai era Manoel Vieira da Silva, o enterro dele foi quase 19h30min. Ele ficou internado sete dias e morreu no Jofre, a família toda está arrasada” escreveu.
Uma cena dantesca de partir o coração que ocorre no mundo a fora. Também chega em Parintins. Os parentes de pessoas que morreram de CODIV-19 não podem fazer nenhuma homenagem e nem aproximar-se do ente querido durante o sepultamento. As vítimas de coronavírus são enterradas de forma solitária no Cemitério São José.
O enterro é solitário e com várias precauções. Não foi diferente quando o corpo do seu Manoel foi transladado do Necrotério ao Cemitério. “Uma dor horrível que só Deus pra nos consolar. No momento que ele chegou no carro da funerária no cemitério deu vontade de correr e abraçar aquele caixão, só não fizemos isso porque ele morreu com aquele vírus, mas ele se foi e levou um pedaço de mim”, lembra emocional Elizandra Silva.

Foto do sábado a noite quando chegou o Corpo do Seu Manoel no Cemitério
Apesar do momento doloroso, a família agradeceu e reconhece o esforço dos médicos, enfermeiros, técnicos de enfermagem e demais profissionais que lutaram com seu Manoel, durante sete dias. “Sim todos trataram ele bem, mesmo naquela correria no hospital eles sempre olhando por ele no Hospital. Quando minha irmã encontrou com os médicos ela agradeceu por tudo que eles fizeram pelo meu pai”, revela.
A cidade de Parintins até ontem, dia 03 de maio, chegou aos 214 casos confirmados de pessoas contaminadas de Coronavírus.
Texto: Hudson Lima Koiote
(92) 991542015
Edição: Jornalista Mayara Carneiro