(foto: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press)
Notícia do dia 06/04/2020
Mandetta, porém, deixou claro que enfrenta dificuldade para combater o avanço do novo coronavírus — e que elas não estão limitadas às divergências com o presidente da República, Jair Bolsonaro. "Nós vamos continuar, porque o nosso inimigo tem nome e sobrenome: é o Covid-19. Agora, as condições dos médicos têm de melhorar”, disse.
O ministro se mostrou muito incomodado com declarações e movimentos para questionar as ações de sua equipe. "Não temos nenhum receio da crítica construtiva. O que nós temos muita difilcudade (é quando) as críticas não vêm no sentido de construir, mas no sentido de trazer dificuldade”, desabafou.
Agradecimento à equipe
Durante o dia, a saída de Mandetta chegou a ser considerada questão de horas. Após voltar a criticá-lo no fim de semana, o presidente Bolsonaro se reuniu com dois médicos cotados para substituí-lo: o ex-ministro da Cidadania e deputado federal Osmar Terra (MDB-RS) e a oncologista Nise Yamagushi, defensora do uso precoce do medicamento em pacientes com Covid-19.
A reação a uma eventual demissão, porém, foi forte. Panelaços foram registrados pelo país e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, e da Câmara, Rodrigo Maia, assim como ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), fizeram chegar até Bolsonaro que não aceitariam a troca de ministro durante a pandemia.
Na coletiva, Mandetta agradeceu aos servidores que aguardaram durante toda a tarde, em frente ao ministério, por uma definição sobre sua permanência ou não no cargo. De acordo com o ministro, as notícias levaram parte de sua equipe a se preparar para deixar a Esplanada. "Teve gente que limpou as gavetas, inclusive, me ajudou a limpar as minhas", disse.
O ministro disse ainda ser apenas um "porta-voz" de "uma equipe técnica excepcional". "Só dou alguns pequenos palpites", disse. "Quando eu deixar o ministério, vamos sair juntos e continuar trabalhando pelo país."