Nova espécie de bicho-preguiça é descoberta em restinga na região Norte Fluminense

Batizada de preguiça-de-coleira-do-sudeste, o animal foi encontrado na Reserva Caruara, uma Reserva Particular de Patrimônio Natural (RPPN), no Porto do Açu, em São João da Barra.

Nova espécie de bicho-preguiça é descoberta em restinga na região Norte Fluminense Surpresa. A preguiça-de-coleira-do-sudeste foi encontrada na restinga, um ecossistema costeiro de vegetação na areia Divulgação Notícia do dia 02/05/2023

Na restinga do Norte Fluminense, uma raridade abraça, literalmente, as árvores locais. Uma nova espécie de bicho-preguiça foi descoberta vivendo dentro da Reserva Caruara, uma Reserva Particular de Patrimônio Natural (RPPN), no Porto do Açu, na cidade de São João da Barra. A preguiça-de-coleira-do-sudeste (Bradypus crinitus), como foi batizada, só ocorre nos estados do Rio e do Espírito Santo. Aqui, ela já foi vista em cinco pares dentro da Reserva, que tem 4 mil hectares, e em regiões próximas. Mesmo preferindo áreas de floresta densa, onde elas são encontradas em 70% dos registros, a presença em restinga é sinal de que a área pode estar funcionando como um corredor de fauna. Ponto para a conservação.

O bicho-preguiça é um mamífero da região de Mata Atlântica que está ameaçado de extinção devido à destruição de seus habitats, causada pela pressão imobiliária e a construção de estradas junto ao mar. Os biólogos do Programa de Monitoramento da Fauna da GNA – Gás Natural do Açu registraram o encontro e foram surpreendidos com a ocorrência da espécie na restinga, um ecossistema costeiro composto por vegetações que crescem na areia, em locais próximos às praias.

Curiosidades da preguiça-de-coleira-do-sudeste (Bradypus crinitus) — Foto: Editoria de Arte

Curiosidades da preguiça-de-coleira-do-sudeste (Bradypus crinitus) — Foto: Editoria de Arte

 

— Encontramos ainda exemplares da espécie com filhote. Isso mostra que elas estão se reproduzindo dentro da Unidade de Conservação e, principalmente, que estão encontrando condições favoráveis para se estabelecer. É uma evidência muito significativa das ações realizadas para a conservação desse ambiente tão importante e pouco conhecido, que é a restinga — conta Luana Mauad, bióloga, doutora em Botânica e responsável pela coordenação dos Programas de Monitoramento da Biodiversidade da GNA.

Na floresta, as preguiças costumam se abrigar nas embaúbas, árvores mais altas. Na restinga, para saber onde elas mais gostam de ficar, o que comem e como vivem, os pesquisadores agora desenvolvem estudos para entender detalhes.

— A gente já a viu se deslocando em árvores como a figueira e também do gênero clusia, uma planta que tem uma folha mais grossinha, muito comum na restinga. A gente está agora estudando métodos para descobrir mais detalhes do comportamento delas e as relações ecossistêmicas — disse Luana.

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